Neste blog são publicadas indicações e pequenas resenhas sobre textos e livros sobre Jornalismo e Internet. É um espaço aberto para a Redação do UOL. Participe!
Nos Estados Unidos, dos que lêem o jornal de sua região, 62% nunca entraram no site do mesmo. É o que revelou um levantamento da Readership Institute realizado este ano em 100 comunidades norte-americanas.
O instituto também pediu para que os leitores dessem notas para a versão online e a impressa desses jornais quanto a certas experiências:
- fornece algo sobre o que falar
- encaixa-se com seus interesses
- tem anúncios úteis
- sensibiliza e inspira
Os impressos tiveram notas mais altas que os sites em todas elas. Somente na experiência “confiança e credibilidade” é que ambas obtiveram avaliações semelhantes.
Mas se os dois meios são confiáveis e os índices de audiência online estão em alta, por que parece que pouca gente lê notícias pelo computador? Markus Prior, da Universidade de Princeton, tenta dar uma resposta em seu livro, Post-Broadcast Democracy.
Para ele, a quantidade de pessoas que busca notícias permanece constante. O que está inflando os índices é um pequeno grupo de aficionados (de 10% a 15% dos norte-americanos) que se esbalda na grande quantidade de informações oferecida pela internet e a TV a cabo.
Por outro lado, a mesma diversidade propicia distrações para aqueles que se interessam menos por política e economia, por exemplo. Em resumo, a maior parte dos leitores dos jornais vai fazer outra coisa na internet que não ler notícias.
Prior sugere, então, que os sites noticiosos ofereçam conteúdo misto para os dois tipos de público: uma enxurrada de matérias para os interessados e um punhado de informações de entretenimento e serviço para a outra parte dos leitores. Sem priorizar um ou outro.
Mais dados apontados pela <a href=”http://www.readership.org/blog2/2008/07/news-flash-readers-have-not-left.html”>pesquisa do Readership Institute</a>:
- O hábito de leitura entre jovens de 18 a 24 anos está em lento declínio, mas está estável entre leitores com mais de 45 anos (desde medições em 2002).
- Em dias de semana, os leitores gastam 27 minutos com o jornal. Aos domingos, 57.
- Em dias de semana, os leitores consomem 60% de todo o conteúdo. Aos domingos, 62%.
- Quem tem esse hábito de leitura tem contato com o jornal, em média, cinco vezes por semana.
(Mary Nesbitt, que assina a matéria no site da instituição, pondera: “Por que [os resultados da mídia impressa] não são tão ruins, quando parece que tudo o que se ouve é sobre a morte iminente dos jornais? A resposta simples é que o abandono dos clientes leitores não chega nem perto do abandono dos clientes publicitários”.)
FONTE: Readership Institute (www.readership.org)
Mara Gama às 08h54
Flávia Siqueira às 15h10
Não ignorar a área de comentários e ouvir o que se diz sobre (e não apenas para) você e o veículo onde está publicado o conteúdo é essencial. Essas são as principais regras a serem seguidas pelos blogueiros segundo editores da BBC, do Channel 4 e do "The Guardian", que participaram do seminário "Learning To Talk: Blogs, Media and Accountabilty", realizado no dia 14 de julho em Londres.
Um resumo do que foi discutido está no blog da BBC, postado por Zoe Kleinman. De acordo com o texto, prestar atenção à área de comentários é especialmente importante quando os leitores apontam erros. Nesses casos, orienta o editor de blogs da BBC, Nick Reynolds, é necessário desculpar-se prontamente, ler os comentários e acompanhar a comunidade de leitores. Outro conselho é sempre responder e reconhecer a ajuda dos leitores.
Sobre a necessidade de se ouvir o que dizem sobre seu blog ou veículo, Reynolds cita o caso de uma blogueira que postou uma nota em seu blog pessoal em crítica à BBC, depois de enviar uma reclamação à rede britânica e receber uma resposta insatisfatória. Reynolds encontrou o blog por acaso e enviou o link ao editor regional, que escreveu diretamente à autora do post.
Flávia Siqueira às 17h12
O site do "The New York Times" (algumas páginas exigem cadastro, que é gratuito) publicou recentemente dois textos sobre as recomendações e as práticas do jornal quanto ao uso de fontes anônimas em reportagens. O primeiro, Culling the Anonymous Sources, escrito pelo ombudsman do jornal, Clark Hoyt, mostra como o veículo tem tentado reduzir o uso dessas fontes. No segundo, Talk to the Newsroom: The Use of Anonymous Sources, a gerente editorial da área de notícias do NYT, Jill Abramson, responde a perguntas enviadas por internautas sobre o assunto.
Hoyt parte dos resultados de um estudo feito por estudantes da Universidade de Columbia (EUA) sobre o uso de fontes anônimas pelo jornal. A conclusão: desde a reformulação do código de conduta da redação, quatro anos atrás, o jornal conseguiu diminuir o uso de informações baseadas nessas fontes.
A reformulação aconteceu após o escândalo protagonizado pelo repórter Jayson Blair, que em 2003 deixou o NYT depois de publicar reportagens falsas, com citações inventadas e informações atribuídas a fontes inexistentes. Segundo texto da France Press publicado pela Folha Online, a primeira "invenção" de Blair aconteceu depois de uma entrevista com um homem que havia trabalhado na Bolsa logo após o atentado de 11 de setembro. Como o entrevistado se negou a se identificar, Blair criou um nome fictício. O NYT detectou 36 fraudes nas 73 reportagens publicadas pelo jornalista.
Recomendações
O atual código do NYT estabelece que os jornalistas dos veículos só devem concordar em fornecer a condição de anônimo a uma fonte caso se trate do "último recurso para se obter informação considerada importante e confiável".
O código, escreve Hoyt, exige que pelo menos um editor do veículo conheça a identidade da fonte. "Fontes anônimas não devem ser usadas quando há fontes on-the-record disponíveis. Elas devem ter conhecimento direto da informação que estão fornecendo. A condição de anônimo não pode ser usada para ataque pessoal ou partidário, para comentários triviais ou de pouca importância", continua o texto.
O estudo feito pelos universitários concluiu também que a maior parte das fontes anônimas (em torno de 80%) não é descrita de forma adequada para o leitor. Hoyt afirma que, caso se recorra a uma fonte anônima, é necessário sempre informar ao leitor "o máximo possível sobre por que ela não pode ser identificada e como ela sabe o que sabe".
Na seção Talk to the Newsroom, Jill Abramson responde a perguntas sobre temas como o porquê de se recorrer a fontes anônimas (Is Anonymity Necessary?), como "funciona" esse recurso (Exactly How Does It Work?) e os direitos das fontes (What Are the Source's Rights?).
Destaque para o relato de Abramson sobre sua conduta em entrevistas com pessoas que não estavam acostumadas a lidar com a imprensa:
"Em algumas reportagens, como uma que escrevi na década de 90 sobre assédio sexual, as pessoas entrevistadas às vezes não entendiam completamente o impacto de ter alguma declaração publicada numa publicação de circulação nacional, como o Times ou o 'The Wall Street Journal', onde eu trabalhava na época. Nesses casos, apesar de a fonte não ter discutido as condições da entrevista em nenhum momento, eu me senti na obrigação de pausar a entrevista, explicar essas condições e me assegurar de que a pessoa sabia das conseqüências de ser identificada no jornal."
(Flávia Siqueira)
Mara Gama às 16h24
Desde que começaram as primárias para a escolha dos candidatos que concorrerão à presidência dos EUA, a mídia norte-americana protagonizou uma série de apostas erradas. A primeira a ganhar grande espaço em sites e artigos de análise da imprensa foi a votação em New Hampshire, em janeiro de 2008, quando a imprensa dava como praticamente certa uma vitória de Barack Obama.
O artigo Off Target, escrito pelo repórter Paul Farhi e publicado na edição mais recente da American Journalism Review faz um "retrato" da confusão na imprensa americana e busca, por meio de entrevistas com editores e analistas, as possíveis causas para a seqüência de equívocos.
Para o analista político Mark Halperin, da revista "Time", os repórteres trabalham muito tentando responder às "perguntas erradas" - quem venceu a batalha do dia pela melhor imagem, quem está à frente na corrida -, quando o ponto principal seria a análise das propostas dos candidatos (quem seria o melhor presidente).
O jornalista responsável pela seção editorial do "New Hampshire Union Leader", Andrew Cline, afirma que, na época da primária democrata no estado, havia um distanciamento entre as "dúzias de repórteres" que viajam juntos pelo país e os eleitores locais.
Segundo Cline, o grupo de jornalistas "havia ouvido os mesmos discursos muitas vezes e não via, depois de um certo tempo, mais nenhuma novidade para relatar. Então, naturalmente, eles acabaram direcionando o foco para o que era 'diferente' de um dia para o outro - a corrida, o ranking, as pesquisas de opinião. Eram insiders falando para insiders". Mas, para os eleitores, que não acompanharam os discursos anteriores, o que os candidatos dizem pode ser novidade e fazer diferença.
As falas e opiniões colhidas por Paul Farhi acabam formando um conjunto de conselhos para se evitar equívocos durante a cobertura de eleições:
▪ O jornalista Bill Wolff, da MSNBC, lembra que é preciso "ler toda a pesquisa de opinião, inclusive os números de indecisos e a margem de erro".
▪ O jornalista David Brocker, do "Washington Post", retoma um velho conselho: jornalistas são jornalistas, e não especialistas em previsões.
▪ Para o ex-repórter e professor universitário Thomas Edsall, os jornalistas devem passar mais tempo com os eleitores, e não com os candidatos. Na mesma linha, Andrew Cline pede aos profissionais que dêem um passo atrás e façam aos candidatos as perguntas que um eleitor gostaria de fazer, e não um insider do mundo político.
Mara Gama às 15h03
O Projeto para a Excelência do Jornalismo (PEJ) divulgou em março de 2008 o
relatório The State of The News Media 2008, que analisa o resultado de
diversas pesquisas feitas ao longo do último ano sobre os veículos jornalísticos
norte-americanos. O documento traz dados interessantes sobre a mídia online e o
chamado "jornalismo cidadão", no qual o usuário se torna produtor de conteúdo.
Alguns destaques:
• A medição de audiência online continua a ser um
dos maiores desafios para os executivos da Web. Há muitas empresas oferecendo
serviços de medição, baseados em metodologias muito diferentes. Para alguns
anunciantes, a incerteza da avaliação do tráfego na web pode estar por trás de
uma desaceleração no índice de crescimento da publicidade online – de 36% em
2006 para 26% em 2007.
• Em 2007, muitos sites e veículos buscaram
abrir espaço para o conteúdo produzido pelo usuário. As constribuições aparecem
principalmente como novas idéias, comentários e envio de imagens e vídeos. Ainda
são poucos os que permitem a publicação de notícias e informações pelos
usuários.
• Sites de notícias não são mais destinos finais dos
internautas. A percepção dos analistas é de que não faz mais sentido um site se
fechar em seu próprio conteúdo. A tendência, segundo o relatório, é fornecer
links e widgets de conteúdos externos e serviços.
• Home
pages estão deixando de ser a principal porta de entrada para os sites. O editor
de um dos maiores sites de jornais dos EUA informou aos pesquisadores que
dois terços do tráfego do site de seu jornal vêm através de agregadores, links
de blogs e outros sites.
• Cada vez mais pessoas vêem a Web como
uma fonte importante de informação. Cerca de 80% dos americanos com 17 anos ou
mais dizem que a internet é uma fonte essencial – em 2006, 66% diziam o mesmo. O
número de internautas que acessam a internet habitualmente para ler notícias
está crescendo. Em pesquisa feita no fim de 2007, 37% dos americanos
entrevistados disseram ter acessado a rede "ontem" para ler notícias; 30%
fizeram o mesmo em 2005 e 26% em 2002.
Em texto publicado no
site Online Journalism
Review, o jornalista Robert Niles lista as lições que, em sua opinião,
publishers e jornalistas devem tirar do relatório: diversificar, encontrar uma
solução para o problema das medições e investir e inovar na obtenção do conteúdo
gerado por usuários.
Leia traduções de trechos do relatório e a
análise completa de Niles:
Traduções de capítulos do
relatório The State of The News Media 2008:
The
State of The News Media 2008. Mídia online - audiência
The
State of The News Media 2008. Mídia online - jornalismo
cidadão
Tradução da análise de Robert
Niles:
As
lições do relatório The State of The News Media 2008 para os
jornalistas online
Mara Gama às 11h28
Se quiser sobreviver na era da internet, a televisão terá que "agir de modos não-tradicionais", anuncia o vice-presidente executivo da VH1, Michael Hirschorn, em texto publicado no último domingo no caderno Mais!, da Folha de S. Paulo. Segundo ele, a melhor saída para a TV é passar a oferecer recursos de internet e, se necessário, concorrer como "versão futura da web". Segue o link do texto:
A revolução será televisionada - "Usando as mesmas armas da internet, redes de TV podem dar a volta por cima e atrair mais público que o mundo virtual" [Folha de S. Paulo; 9 de março de 2008]
Mara Gama às 10h49
A Wikipedia pode ser útil como fonte adicional para o trabalho jornalístico. Essa é uma das opiniões presentes no texto "Wikipedia in the Newsroom", que discute o uso da enciclopédia por veículos de imprensa. O texto, escrito pela jornalista e professora universitária Donna Shaw, foi publicado na última edição da revista American Journalism Review.
Shaw ouviu profissionais da imprensa e estudiosos sobre o uso da enciclopédia digital como fonte. Segundo a jornalista, são poucas as menções explícitas à Wikipedia (do tipo "de acordo com a Wikipedia") em veículos jornalísticos. Quando ocorrem, elas tendem a aparecer principalmente em colunas de opinião, cartas aos editores e reportagens frias.
Muitas redações fazem restrições ao uso da Wikipedia como fonte. É o caso da Agência France Presse (AFP), que restringiu o uso do site recentemente, como mostra post publicado neste blog em 29 de janeiro. O chefe do escritório da agência em Londres, Pierre Lesourd, disse ao site Journalism.co.uk que os jornalistas da AFP não podem utilizar informações da Wikipedia sem checá-las e recorrer a outras fontes mais confiáveis.
Para Shaw, o cuidado no uso da Wikipedia como fonte é compreensível. Afinal, seu conteúdo é irregular - há tópicos com muitos detalhes e outros com pouquíssimas informações; há tópicos que abordam assuntos "de peso" e outros sobre temas irrelevantes.
Ainda assim, a Wikipedia pode ser útil como ponto de partida para a apuração. O repórter David Cray Johnston, do "The New York Times", conta que, ao pesquisar sobre termodinâmica, encontrou na Wikipedia uma listagem com diversas referências e fontes confiáveis sobre o assunto. Segundo ele, a enciclopédia pode ser valiosa como um "mapa" para outras fontes de pesquisa e apuração.
Donna Shaw também ouviu alguns estudiosos e defensores da Wikipedia. A professora Cathy Davidson, da Universidade de Duke (EUA), sugere que os jornalistas disponibilizem informações encontradas na Wikipedia para comentários dos leitores. "Se o jornalista encontrar algo surpreendente, e seu 'instinto' sugerir que a informação está correta, ele pode indicar aos leitores que se trata de algo não confirmado e convidá-los a comentar sobre o assunto", afirma Davidson.
Após elencar opiniões e discutir os usos da Wikipedia, Donna Shaw escolhe uma declaração de David Cray Johnston para fechar seu artigo: "Não importa quem sejam suas fontes - quando você assina um texto, você é responsável por cada palavra, por cada pensamento, por cada conceito". (Flávia Siqueira)
Mara Gama às 15h17
Entender e explorar o conceito de comunidade - para o professor Rich Gordon, da Northwestern University (EUA), essa é a lição de casa para os sites de notícias que desejam alcançar o sucesso de sites como o Facebook e o MySpace. Em texto publicado no site do Readership Institute ("What news and information Web sites can learn from Facebook and MySpace"), Gordon traz algumas observações feitas a partir de pesquisas sobre os sites de redes sociais e que podem ser úteis aos sites noticiosos.
Gordon recorre a alguns números obtidos pela Compete, empresa que mede a audiência na internet. Segundo as medições, o MySpace e o Facebook tiveram, respectivamente, 66 milhões e 32 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2007 - muito à frente dos sites de notícias (o site da CNN, por exemplo, aparece com 23 milhões de visitantes únicos).
O número de páginas acessadas por visita também é maior nos sites de redes sociais: enquanto os usuários de sites de notícias vêem de cinco a dez páginas por visita, de acordo com a Compete, no Facebook esse número passa de 40.
Segundo Gordon, os sites de notícias podem aumentar sua audiência e a fidelidade de seus visitantes com o uso de ferramentas que facilitem as trocas e os contatos entre os leitores - permitir, por exemplo, o cadastro de perfis e a criação de listas de amigos.
Gordon cita o exemplo do USA Today: em março de 2007, o jornal reformulou seu site e agora permite que seus usuários criem perfis e compartilhem seus comentários. Os dados da Compete mostram um aumento significativo no número de páginas visitadas (page views) no USAToday.com nos meses seguintes à reformulação - em dezembro de 2006, eram duas páginas por visita; em junho de 2007, esse número passou para oito.
Para Rich Gordon, o Facebook e o MySpace também dizem muito sobre o comportamento de adolescentes e jovens adultos na internet, já que são eles que compõem a maior parte do público desses sites.
Gordon recomenda a leitura do relatório "If It Catches My Eye: An Exploration of Online News Experiences of Teenagers", que traz os resultados de uma pesquisa feita com adolescentes por pesquisadores da Northwestern University. Uma das conclusões do estudo: como os adolescentes não vão até os sites jornalísticos, é preciso levar as notícias aos sites onde eles passam a maior parte de seu tempo na internet - nas redes sociais online, por exemplo.
(Flávia Siqueira)
Mara Gama às 14h27
Mara Gama às 15h27
Mara Gama às 18h31
Mara Gama às 12h51
A profusão de blogs, wikis e novos formatos online não levará à extinção dos jornais. Quem faz a previsão é o editor executivo do jornal "The New York Times", Bill Keller. O site do jornal "The Guardian" traz o texto de uma conferência feita pelo jornalista, na qual ele expõe sua posição sobre o papel e a situação dos jornais na era da internet.
Segundo Keller, os jornais e seus profissionais realizam um trabalho de cobertura que não é feito em mídias como blogs e wikis - que acabam recorrendo a informações publicadas pelos veículos jornalísticos. Isso não quer dizer que as novas formas de produção e divulgação de conteúdo não sejam importantes - afinal, o próprio "Times" tem investido na Web -, mas sinaliza que os jornais ainda exercem um papel essencial.
A conferência foi feita pelo editor em um evento realizado em memória do jornalista Hugo Young. Após uma introdução sobre o trabalho de Young, Keller fala sobre a hostilidade da administração Bush em relação à imprensa. Segundo ele, o governo atual ajudou a alimentar um clima de antipatia aos jornais.
A Casa Branca, diz Keller, tem se esforçado para impor sua "verdade única" sobre a chamada "guerra ao terror". Nesse ambiente, os jornais que publicam informações que desagradam o governo são tachados como inimigos. A administração Bush também tem incentivado a polarização política do público: de um lado, os que apóiam a Casa Branca em todas as suas ações; de outro, os oposicionistas - um clima de "demonização", nada propício ao debate.
Mara Gama às 14h23
Dois textos, em inglês, sobre a participação dos usuários na produção de conteúdo informativo na internet:
- Um artigo científico de Alfred Hermida e Neil Thurman mostra como os veículos de imprensa britânicos estão lidando com o conteúdo gerado por usuários (user-generated content). Baseada em um levantamento quantitativo e em entrevistas com onze editores dos principais sites de notícias, a pesquisa revela um aumento significativo no número de canais abertos ao público.
O artigo também mostra que, em 18 meses (de abril de 2005 a novembro de 2006), o número de blogs hospedados pelos sites analisados subiu de sete para 118, em sua maioria abertos a comentários dos leitores. Houve uma mudança na fala dos editores: há três anos, eles consideravam os blogs uma “bobagem”; hoje, os vêem como espaços importantes, que permitem um contato valioso com o leitor.
***
- No jornalismo, a palavra final será dos leitores. Quem faz a previsão é o editor do site Online Journalism Review, Robert Niles. Ele cita dois exemplos recentes da mídia norte-americana. O primeiro mostra como, ao tentar esconder o nome e o endereço de uma mulher que havia fornecido informações falsas em um caso de suicídio, os veículos jornalísticos estimularam a busca e a divulgação dessas mesmas informações por blogueiros. A situação traz uma nova questão ética para os jornalistas: como proteger pessoas em um mundo que facilita tanto a busca e a distribuição de dados?
No segundo exemplo, Robert Niles cita um artigo publicado pelo jornal Los Angeles Times sobre uma feira de automóveis. Segundo o editor, os veículos erram ao realizar suas coberturas com base apenas em material e eventos produzidos para a imprensa (releases, coletivas, visitas programadas).
Alguns segmentos começam a dar mais atenção à “cobertura” feita pelos próprios visitantes e usuários, que publicam seus textos e fotos na internet. Niles cita a declaração de um porta-voz do estúdio Universal: “Não nos importamos muito com a cobertura feita pelo Los Angeles Times. O que queremos é estar na internet, onde estão nossos clientes”.
Mara Gama às 16h07
Mais uma dica encontrada no blog Novo em Folha, do programa de treinamento da Folha de S. Paulo: vinte perguntas que os jornalistas devem fazer antes de divulgarem os resultados de pesquisas de opinião. O texto, em inglês, está no site do National Council on Public Polls (NCPP), associação que congrega organizações que realizam esse tipo de pesquisa.
As questões propostas pelos autores ajudam a identificar se uma pesquisa foi realizada com critério científico - e, portanto, traz alguma informação importante sobre o universo pesquisado - ou se é apenas um conjunto de respostas e dados curiosos, sem relevância estatística.
Veja algumas das perguntas sugeridas:
- Quem pagou pela pesquisa? Por que ela foi feita?
- Quantas pessoas foram entrevistadas? Como elas foram escolhidas?
- Qual a distribuição geográfica do grupo de entrevistados?
- O resultado divulgado é baseado nas repostas de todos os entrevistados ou em falas de um subgrupo?
- Em que ordem as perguntas foram feitas?
- Existem outras pesquisas sobre o mesmo assunto? O que elas dizem?
Mara Gama às 16h14