Neste blog são publicadas indicações e pequenas resenhas sobre textos e livros sobre Jornalismo e Internet. É um espaço aberto para a Redação do UOL. Participe!

13/08/2008

Maioria dos leitores de jornais regionais nos EUA não visita versões online


Nos Estados Unidos, dos que lêem o jornal de sua região, 62% nunca entraram no site do mesmo. É o que revelou um levantamento da Readership Institute realizado este ano em 100 comunidades norte-americanas.


O instituto também pediu para que os leitores dessem notas para a versão online e a impressa desses jornais quanto a certas experiências:


- fornece algo sobre o que falar

- encaixa-se com seus interesses

- tem anúncios úteis

- sensibiliza e inspira


Os impressos tiveram notas mais altas que os sites em todas elas. Somente na experiência “confiança e credibilidade” é que ambas obtiveram avaliações semelhantes.

Mas se os dois meios são confiáveis e os índices de audiência online estão em alta, por que parece que pouca gente lê notícias pelo computador? Markus Prior, da Universidade de Princeton, tenta dar uma resposta em seu livro, Post-Broadcast Democracy.

Para ele, a quantidade de pessoas que busca notícias permanece constante. O que está inflando os índices é um pequeno grupo de aficionados (de 10% a 15% dos norte-americanos) que se esbalda na grande quantidade de informações oferecida pela internet e a TV a cabo.

Por outro lado, a mesma diversidade propicia distrações para aqueles que se interessam menos por política e economia, por exemplo. Em resumo, a maior parte dos leitores dos jornais vai fazer outra coisa na internet que não ler notícias.

Prior sugere, então, que os sites noticiosos ofereçam conteúdo misto para os dois tipos de público: uma enxurrada de matérias para os interessados e um punhado de informações de entretenimento e serviço para a outra parte dos leitores. Sem priorizar um ou outro.

Mais dados apontados pela <a href=”http://www.readership.org/blog2/2008/07/news-flash-readers-have-not-left.html”>pesquisa do Readership Institute</a>:

- O hábito de leitura entre jovens de 18 a 24 anos está em lento declínio, mas está estável entre leitores com mais de 45 anos (desde medições em 2002).

- Em dias de semana, os leitores gastam 27 minutos com o jornal. Aos domingos, 57.

- Em dias de semana, os leitores consomem 60% de todo o conteúdo. Aos domingos, 62%.

- Quem tem esse hábito de leitura tem contato com o jornal, em média, cinco vezes por semana.

(Mary Nesbitt, que assina a matéria no site da instituição, pondera: “Por que [os resultados da mídia impressa] não são tão ruins, quando parece que tudo o que se ouve é sobre a morte iminente dos jornais? A resposta simples é que o abandono dos clientes leitores não chega nem perto do abandono dos clientes publicitários”.)

FONTE: Readership Institute (www.readership.org)

17/07/2008

Busca online precisa mudar para dar conta de "avalanche" de dados, defende jornalista Om Malik

Cerca de 10,7 bilhões de buscas online foram feitas nos EUA no mês de maio de 2008, 20% a mais do que em maio de 2007. Os dados, divulgados pela comScore, aparecem no artigo "Can Serendipity Make You Rich?", assinado pelo jornalista Om Malik e publicado no dia 14 de julho no site da BusinessWeek.
 
Segundo Malik, se por um lado os dados mostram um crescimento na busca pela informação, por outro eles deixam entrever as repetidas tentativas frustradas de se encontrar algo em meio a uma "avalanche" de dados.
 
"O problema é que são muitos dados entrando no meio online rapidamente, e o tradicional método de busca, de se encontrar uma informação primeiro e depois consumi-la, não vai funcionar por muito tempo", escreve Malik. Entre os motivos do crescimento exponencial de dados na internet, aponta, estão as ferramentas da Web 2.0 (blogs, redes sociais, RSS, Twitter), que facilitam a "criação de dados digitais".
 
Nesse mundo de profusão de informações, Malik aposta que a próxima mina de ouro será uma ferramenta que consiga limpar e organizar tudo isso. "Se alguém conseguir se tornar o Dolby da Web - remover o barulho e nos dar um som mais limpo -, essa pessoa ganhará muito dinheiro. E quando digo 'som limpo', me refiro a dados que sejam realmente úteis."
 
Malik diz que o ideal seria uma ferramenta de busca que conseguisse reunir e contextualizar dados de várias fontes online e que permitisse ao usuário encontrar, consumir e compartilhar informação. "Almost like serendipity", escreve Malik, retomando a palavra do título. Em português, "serendipismo": "dom de fazer descobertas felizes, por acaso" [dicionário Michaelis].

16/07/2008

Para editores britânicos, atenção aos comentários do público é essencial

Não ignorar a área de comentários e ouvir o que se diz sobre (e não apenas para) você e o veículo onde está publicado o conteúdo é essencial. Essas são as principais regras a serem seguidas pelos blogueiros segundo editores da BBC, do Channel 4 e do "The Guardian", que participaram do seminário "Learning To Talk: Blogs, Media and Accountabilty", realizado no dia 14 de julho em Londres.

 

Um resumo do que foi discutido está no blog da BBC, postado por Zoe Kleinman. De acordo com o texto, prestar atenção à área de comentários é especialmente importante quando os leitores apontam erros. Nesses casos, orienta o editor de blogs da BBC, Nick Reynolds, é necessário desculpar-se prontamente, ler os comentários e acompanhar a comunidade de leitores. Outro conselho é sempre responder e reconhecer a ajuda dos leitores.   

 

Sobre a necessidade de se ouvir o que dizem sobre seu blog ou veículo, Reynolds cita o caso de uma blogueira que postou uma nota em seu blog pessoal em crítica à BBC, depois de enviar uma reclamação à rede britânica e receber uma resposta insatisfatória. Reynolds encontrou o blog por acaso e enviou o link ao editor regional, que escreveu diretamente à autora do post.

13/06/2008

Ombudsman e gerente editorial do NYT escrevem sobre o uso de fontes anônimas pelo jornal

O site do "The New York Times" (algumas páginas exigem cadastro, que é gratuito) publicou recentemente dois textos sobre as recomendações e as práticas do jornal quanto ao uso de fontes anônimas em reportagens. O primeiro, Culling the Anonymous Sources, escrito pelo ombudsman do jornal, Clark Hoyt, mostra como o veículo tem tentado reduzir o uso dessas fontes. No segundo, Talk to the Newsroom: The Use of Anonymous Sources, a gerente editorial da área de notícias do NYT, Jill Abramson, responde a perguntas enviadas por internautas sobre o assunto.
 
Hoyt parte dos resultados de um estudo feito por estudantes da Universidade de Columbia (EUA) sobre o uso de fontes anônimas pelo jornal. A conclusão: desde a reformulação do código de conduta da redação, quatro anos atrás, o jornal conseguiu diminuir o uso de informações baseadas nessas fontes.
 
A reformulação aconteceu após o escândalo protagonizado pelo repórter Jayson Blair, que em 2003 deixou o NYT depois de publicar reportagens falsas, com citações inventadas e informações atribuídas a fontes inexistentes. Segundo texto da France Press publicado pela Folha Online, a primeira "invenção" de Blair aconteceu depois de uma entrevista com um homem que havia trabalhado na Bolsa logo após o atentado de 11 de setembro. Como o entrevistado se negou a se identificar, Blair criou um nome fictício. O NYT detectou 36 fraudes nas 73 reportagens publicadas pelo jornalista.
 
Recomendações
O atual código  do NYT  estabelece que os jornalistas dos veículos só devem concordar em fornecer a condição de anônimo a uma fonte caso se trate do "último recurso para se obter informação considerada importante e confiável".
 
O código, escreve Hoyt, exige que pelo menos um editor do veículo conheça a identidade da fonte. "Fontes anônimas não devem ser usadas quando há fontes on-the-record disponíveis. Elas devem ter conhecimento direto da informação que estão fornecendo. A condição de anônimo não pode ser usada para ataque pessoal ou partidário, para comentários triviais ou de pouca importância", continua o texto.
 
O estudo feito pelos universitários concluiu também que a maior parte das fontes anônimas (em torno de 80%) não é descrita de forma adequada para o leitor. Hoyt afirma que, caso se recorra a uma fonte anônima, é necessário sempre informar ao leitor "o máximo possível sobre por que ela não pode ser identificada e como ela sabe o que sabe".
 
Na seção Talk to the Newsroom, Jill Abramson responde a perguntas sobre temas como o porquê de se recorrer a fontes anônimas (Is Anonymity Necessary?), como "funciona" esse recurso (Exactly How Does It Work?) e os direitos das fontes (What Are the Source's Rights?).
 
Destaque para o relato de Abramson sobre sua conduta em entrevistas com pessoas que não estavam acostumadas a lidar com a imprensa:

"Em algumas reportagens, como uma que escrevi na década de 90 sobre assédio sexual, as pessoas entrevistadas às vezes não entendiam completamente o impacto de ter alguma declaração publicada numa publicação de circulação nacional, como o Times ou o 'The Wall Street Journal', onde eu trabalhava na época. Nesses casos, apesar de a fonte não ter discutido as condições da entrevista em nenhum momento, eu me senti na obrigação de pausar a entrevista, explicar essas condições e me assegurar de que a pessoa sabia das conseqüências de ser identificada no jornal."

(Flávia Siqueira)

16/05/2008

Texto da AJR investiga causas dos erros na cobertura das eleições americanas

Desde que começaram as primárias para a escolha dos candidatos que concorrerão à presidência dos EUA, a mídia norte-americana protagonizou uma série de apostas erradas. A primeira a ganhar grande espaço em sites e artigos de análise da imprensa foi a votação em New Hampshire, em janeiro de 2008, quando a imprensa dava como praticamente certa uma vitória de Barack Obama.
 
O artigo Off Target, escrito pelo repórter Paul Farhi e publicado na edição mais recente da American Journalism Review faz um "retrato" da confusão na imprensa americana e busca, por meio de entrevistas com editores e analistas, as possíveis causas para a seqüência de equívocos.
 
Para o analista político Mark Halperin, da revista "Time", os repórteres trabalham muito tentando responder às "perguntas erradas" - quem venceu a batalha do dia pela melhor imagem, quem está à frente na corrida -, quando o ponto principal seria a análise das propostas dos candidatos (quem seria o melhor presidente).
 
O jornalista responsável pela seção editorial do "New Hampshire Union Leader", Andrew Cline, afirma que, na época da primária democrata no estado, havia um distanciamento entre as "dúzias de repórteres" que viajam juntos pelo país e os eleitores locais.
 
Segundo Cline, o grupo de jornalistas "havia ouvido os mesmos discursos muitas vezes e não via, depois de um certo tempo, mais nenhuma novidade para relatar. Então, naturalmente, eles acabaram direcionando o foco para o que era 'diferente' de um dia para o outro - a corrida, o ranking, as pesquisas de opinião. Eram insiders falando para insiders". Mas, para os eleitores, que não acompanharam os discursos anteriores, o que os candidatos dizem pode ser novidade e fazer diferença.
 
As falas e opiniões colhidas por Paul Farhi acabam formando um conjunto de conselhos para se evitar equívocos durante a cobertura de eleições:
 
▪ O jornalista Bill Wolff, da MSNBC, lembra que é preciso "ler toda a pesquisa de opinião, inclusive os números de indecisos e a margem de erro".
 
▪ O jornalista David Brocker, do "Washington Post", retoma um velho conselho: jornalistas são jornalistas, e não especialistas em previsões.
 
▪ Para o ex-repórter e professor universitário Thomas Edsall, os jornalistas devem passar mais tempo com os eleitores, e não com os candidatos. Na mesma linha, Andrew Cline pede aos profissionais que dêem um passo atrás e façam aos candidatos as perguntas que um eleitor gostaria de fazer, e não um insider do mundo político.

 


Leia mais:
 
Mini-verdades da mídia na eleição nos EUA. Artigo de Gabor Steingart, publicado na "Der Spiegel" [com tradução no especial UOL Eleição Americana 2008]. Para o autor, "durante esta campanha de eleição, uma grande parte da mídia americana não se dedicou a seguir cuidadosamente os princípios da profissão" e, "por meses, o foco da cobertura de eleição foi a trivialidade".

29/04/2008

Medição de audiência e uso de conteúdo gerado pelo usuário são desafios para a mídia online, mostra relatório

O Projeto para a Excelência do Jornalismo (PEJ) divulgou em março de 2008 o relatório The State of The News Media 2008, que analisa o resultado de diversas pesquisas feitas ao longo do último ano sobre os veículos jornalísticos norte-americanos. O documento traz dados interessantes sobre a mídia online e o chamado "jornalismo cidadão", no qual o usuário se torna produtor de conteúdo. Alguns destaques:
 
• A medição de audiência online continua a ser um dos maiores desafios para os executivos da Web. Há muitas empresas oferecendo serviços de medição, baseados em metodologias muito diferentes. Para alguns anunciantes, a incerteza da avaliação do tráfego na web pode estar por trás de uma desaceleração no índice de crescimento da publicidade online – de 36% em 2006 para 26% em 2007.
 
• Em 2007, muitos sites e veículos buscaram abrir espaço para o conteúdo produzido pelo usuário. As constribuições aparecem principalmente como novas idéias, comentários e envio de imagens e vídeos. Ainda são poucos os que permitem a publicação de notícias e informações pelos usuários.
 
• Sites de notícias não são mais destinos finais dos internautas. A percepção dos analistas é de que não faz mais sentido um site se fechar em seu próprio conteúdo. A tendência, segundo o relatório, é fornecer links e widgets de conteúdos externos e serviços. 
 
• Home pages estão deixando de ser a principal porta de entrada para os sites. O editor de um dos maiores sites de jornais dos EUA  informou aos pesquisadores que dois terços do tráfego do site de seu jornal vêm através de agregadores, links de blogs e outros sites.
 
• Cada vez mais pessoas vêem a Web como uma fonte importante de informação. Cerca de 80% dos americanos com 17 anos ou mais dizem que a internet é uma fonte essencial – em 2006, 66% diziam o mesmo. O número de internautas que acessam a internet habitualmente para ler notícias está crescendo. Em pesquisa feita no fim de 2007, 37% dos americanos entrevistados disseram ter acessado a rede "ontem" para ler notícias; 30% fizeram o mesmo em 2005 e 26% em 2002.
 
Em texto publicado no site Online Journalism Review, o jornalista Robert Niles lista as lições que, em sua opinião, publishers e jornalistas devem tirar do relatório: diversificar, encontrar uma solução para o problema das medições e investir e inovar na obtenção do conteúdo gerado por usuários.
 
Leia traduções de trechos do relatório e a análise completa de Niles:
 
Traduções de capítulos do relatório The State of The News Media 2008:
The State of The News Media 2008. Mídia online - audiência
The State of The News Media 2008. Mídia online - jornalismo cidadão

 
Tradução da análise de Robert Niles:
As lições do relatório The State of The News Media 2008 para os jornalistas online

 


O relatório completo, em inglês, está disponível em http://www.stateofthenewsmedia.org/2008/.

10/03/2008

Os desafios da TV no mundo virtual

Se quiser sobreviver na era da internet, a televisão terá que "agir de modos não-tradicionais", anuncia o vice-presidente executivo da VH1, Michael Hirschorn, em texto publicado no último domingo no caderno Mais!, da Folha de S. Paulo. Segundo ele, a melhor saída para a TV é passar a oferecer recursos de internet e, se necessário, concorrer como "versão futura da web". Segue o link do texto:

 

A revolução será televisionada - "Usando as mesmas armas da internet, redes de TV podem dar a volta por cima e atrair mais público que o mundo virtual" [Folha de S. Paulo; 9 de março de 2008]

08/02/2008

Texto discute uso da Wikipedia por jornalistas

A Wikipedia pode ser útil como fonte adicional para o trabalho jornalístico. Essa é uma das opiniões presentes no texto "Wikipedia in the Newsroom", que discute o uso da enciclopédia por veículos de imprensa. O texto, escrito pela jornalista e professora universitária Donna Shaw, foi publicado na última edição da revista American Journalism Review.

 

Shaw ouviu profissionais da imprensa e estudiosos sobre o uso da enciclopédia digital como fonte. Segundo a jornalista, são poucas as menções explícitas à Wikipedia (do tipo "de acordo com a Wikipedia") em veículos jornalísticos. Quando ocorrem, elas tendem a aparecer principalmente em colunas de opinião, cartas aos editores e reportagens frias.
 
Muitas redações fazem restrições ao uso da Wikipedia como fonte. É o caso da Agência France Presse (AFP), que restringiu o uso do site recentemente, como mostra post publicado neste blog em 29 de janeiro. O chefe do escritório da agência em Londres, Pierre Lesourd, disse ao site Journalism.co.uk que os jornalistas da AFP não podem utilizar informações da Wikipedia sem checá-las e recorrer a outras fontes mais confiáveis.
 
Para Shaw, o cuidado no uso da Wikipedia como fonte é compreensível. Afinal, seu conteúdo é irregular - há tópicos com muitos detalhes e outros com pouquíssimas informações; há tópicos que abordam assuntos "de peso" e outros sobre temas irrelevantes.
 
Ainda assim, a Wikipedia pode ser útil como ponto de partida para a apuração. O repórter David Cray Johnston, do "The New York Times", conta que, ao pesquisar sobre termodinâmica, encontrou na Wikipedia uma listagem com diversas referências e fontes confiáveis sobre o assunto. Segundo ele, a enciclopédia pode ser valiosa como um "mapa" para outras fontes de pesquisa e apuração.
 
Donna Shaw também ouviu alguns estudiosos e defensores da Wikipedia. A professora Cathy Davidson, da Universidade de Duke (EUA), sugere que os jornalistas disponibilizem informações encontradas na Wikipedia para comentários dos leitores. "Se o jornalista encontrar algo surpreendente, e seu 'instinto' sugerir que a informação está correta, ele pode indicar aos leitores que se trata de algo não confirmado e convidá-los a comentar sobre o assunto", afirma Davidson.
 
Após elencar opiniões e discutir os usos da Wikipedia, Donna Shaw escolhe uma declaração de David Cray Johnston para fechar seu artigo: "Não importa quem sejam suas fontes - quando você assina um texto, você é responsável por cada palavra, por cada pensamento, por cada conceito". (Flávia Siqueira)

07/02/2008

O que os sites de notícias podem aprender com o Facebook e o MySpace

Entender e explorar o conceito de comunidade - para o professor Rich Gordon, da Northwestern University (EUA), essa é a lição de casa para os sites de notícias que desejam alcançar o sucesso de sites como o Facebook e o MySpace. Em texto publicado no site do Readership Institute ("What news and information Web sites can learn from Facebook and MySpace"), Gordon traz algumas observações feitas a partir de pesquisas sobre os sites de redes sociais e que podem ser úteis aos sites noticiosos.
 
Gordon recorre a alguns números obtidos pela Compete, empresa que mede a audiência na internet. Segundo as medições, o MySpace e o Facebook tiveram, respectivamente, 66 milhões e 32 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2007 - muito à frente dos sites de notícias (o site da CNN, por exemplo, aparece com 23 milhões de visitantes únicos).
 
O número de páginas acessadas por visita também é maior nos sites de redes sociais: enquanto os usuários de sites de notícias vêem de cinco a dez páginas por visita, de acordo com a Compete, no Facebook esse número passa de 40.
 
Segundo Gordon, os sites de notícias podem aumentar sua audiência e a fidelidade de seus visitantes com o uso de ferramentas que facilitem as trocas e os contatos entre os leitores - permitir, por exemplo, o cadastro de perfis e a criação de listas de amigos.
 
Gordon cita o exemplo do USA Today: em março de 2007, o jornal reformulou seu site e agora permite que seus usuários criem perfis e compartilhem seus comentários. Os dados da Compete mostram um aumento significativo no número de páginas visitadas (page views) no USAToday.com nos meses seguintes à reformulação - em dezembro de 2006, eram duas páginas por visita; em junho de 2007, esse número passou para oito.
 
Para Rich Gordon, o Facebook e o MySpace também dizem muito sobre o comportamento de adolescentes e jovens adultos na internet, já que são eles que compõem a maior parte do público desses sites.
 
Gordon recomenda a leitura do relatório "If It Catches My Eye: An Exploration of Online News Experiences of Teenagers", que traz os resultados de uma pesquisa feita com adolescentes por pesquisadores da Northwestern University. Uma das conclusões do estudo: como os adolescentes não vão até os sites jornalísticos, é preciso levar as notícias aos sites onde eles passam a maior parte de seu tempo na internet - nas redes sociais online, por exemplo.

(Flávia Siqueira)

24/01/2008

80% dos internautas consideram intrusivo anúncio em vídeo online

Uma pesquisa feita pela empresa de marketing americana Burst Media mostra que cerca de 80% dos internautas que já viram anúncios inseridos em vídeos online (anúncios in-stream) consideram intrusivo esse tipo de publicidade. Mais da metade deles afirma que deixa de assistir ao vídeo quando se depara com um anúncio desse tipo. Os resultados foram publicados em matéria do New York Times.
 
A pesquisa foi feita por meio de um questionário online. De um total de 2600 internautas entrevistados, 72,1% disseram assistir a vídeos na internet. Desses, 53,6% se lembram de ver anúncios inseridos nessas mídias.
 
Os números encontrados mostram que grande parte dos usuários se sente incomodada com essas propagandas. O incômodo é menor entre os internautas mais jovens (de 18 a 24 anos), mas eles tendem a se lembrar menos do conteúdo dos anúncios.
 
Para tentar diminuir a rejeição dos usuários a esse tipo de publicidade, o diretor de marketing da Burst Media, David Cooperstein, recomenda que os anúncios sejam mais curtos (de cinco a dez segundos) e apareçam apenas em vídeos cujo conteúdo esteja relacionado ao tema da propaganda.
 
Veja alguns dos números encontrados pela pesquisa:
 
- Dos entrevistados que se lembram de ver anúncios em vídeo, 78,4% consideram essa publicidade intrusiva.
 
- 50,7% dizem que deixam de assistir a um vídeo quando surge um anúncio desse tipo; 43,2% assistem ao vídeo até o final; 15,3% afirmam deixar o site imediatamente.
 
- 49,7% dizem que a presença de um anúncio in-stream diminui sua vontade de assistir a outros vídeos.
 
- 33% dos entrevistados dizem prestar menos atenção a anúncios em vídeo do que a outros tipos de publicidade online; 36,1% dizem não dar uma atenção nem maior nem menor aos anúncios in-stream.
 
(Flávia Siqueira)

18/01/2008

Extrair melhores comentários e identificar leitores com nome e foto são estratégias de edição para "premiar" participação do público

Moderar, e ao mesmo tempo "recompensar" os leitores que fazem os melhores comentários e fornecem seus nomes verdadeiros. Essa é, segundo o editor de jornalismo digital do "The New York Times", Jonathan Landman, a melhor maneira de se lidar com os comentários postados por usuários em fóruns e espaços de discussão. A fala de Landman está no texto Traditional Media Ready to Elevate the Conversation Online - with Moderation, publicado nesta semana pelo jornalista Mark Glaser no blog MediaShift.
 
Glaser coloca em debate algumas das idéias sobre a moderação de comentários em sites jornalísticos e as formas encontradas por empresas e profissionais para lidar com essas mensagens. Segundo ele, a discussão não se concentra mais na escolha entre permitir ou não comentários, mas em como moderar essas mensagens e dar destaque às melhores.
 
Para Jonathan Landman, que é contra a exigência de registro dos usuários, a chave é utilizar mecanismos negativos e positivos: moderar as mensagens, excluir as de conteúdo ofensivo e "reconhecer" os leitores que fornecem seus nomes e postam bons comentários - criando, por exemplo, uma seção com as melhores mensagens. Outro exemplo que aparece no texto vem do site BusinessWeek.com, que adotou a estratégia de pedir uma foto ao usuário e publicá-la na home page, com destaque para seu comentário.
 
Para Howard Owens, da GateHouse Media, é papel dos jornalistas estimular e manter a qualidade dos comentários e conversações. Owens, assim como Landman, considera uma boa alternativa permitir que os próprios usuários avaliem a qualidade dos comentários - a exemplo do que acontece no site da Amazon. Com o tempo, segundo eles, torna-se possível identificar os melhores "comentadores".
 
Ao longo do texto, Glaser também aborda as possíveis implicações legais - levando-se em conta a legislação norte-americana - de se editar comentários enviados pelos leitores.

11/01/2008

Textos criticam a cobertura da mídia sobre as primárias norte-americanas

As pesquisas previram uma vitória de Barack Obama, e os jornais compraram a idéia. Mas as coisas não saíram como o previsto: Hillary Clinton venceu as primárias do partido democrata norte-americano no estado de New Hampshire. E o "engano" da mídia, que dava como praticamente certa a derrota da senadora, se tornou o tema mais abordado por blogs e sites sobre jornalismo nesta semana.
 
O crítico de mídia Mark Jurkowitz, em texto publicado no site Journalism.org, do Projeto pela Excelência no Jornalismo (PEJ), mostra como a imprensa norte-americana reagiu ao próprio engano e à vitória de Hillary e suas tentativas de explicar o resultado inesperado. O PEJ analisou as manchetes e coberturas feitas pela mídia de língua inglesa sobre as primárias de New Hampshire e percebeu algumas regularidades, como o tom de surpresa após a vitória de Hillary e a ênfase na "virada" e no sucesso inesperado da candidata - e não na derrota de Obama.

Para Jurkowitz, o episódio "ensinou uma lição à imprensa" - lição que aparece na fala do jornalista Tom Brokaw, ex-âncora da NBC, para quem a mídia precisa reavaliar sua postura, controlar a ansiedade e esperar pelo "julgamento" dos eleitores.
 
O assunto também foi abordado por Howard Kurtz, colunista do WashingtonPost.com. Segundo ele, a mídia aceitou como fato que Barack Obama venceria a primária de New Hampshire com uma vantagem de oito a dez pontos - como indicavam as pesquisas de opinião.
 
Kurtz mostra trechos de matérias publicadas pelos jornais antes e depois da votação em New Hampshire. Um exemplo: no dia 8 de janeiro, o "The New York Times" publicou um texto em tom pessimista sobre a campanha da ex-senadora e anunciava: "Key campaign officials may be replaced. She may start calling herself the underdog". No dia 9, após a votação, o jornal classificou a vitória como uma virada surpreendente. O segundo texto do NYT traz a justificativa de que, diferentemente do que acontedeu em Iowa, as mulheres de New Hampshire apoiaram Hillary em peso.
 
Em português, o tom crítico aparece em artigo de Clóvis Rossi publicado na quinta-feira (10) pela Folha de S. Paulo. Para o jornalista, "quem perdeu a primária democrata de New Hampshire foi o jornalismo 'fast food', esse que se sente compelido a projetar às pressas o futuro com base só em um microfragmento do presente". No final do texto, um alerta aos jornalistas que sentem a tentação de apenas trocar de lado em suas certezas: "nem morreu a 'Obamamania' nem Hillary Clinton está condenada a ganhar todas as demais primárias só porque ganhou em New Hampshire. É dizer o óbvio? É."
(Flávia Siqueira)

04/12/2007

Editor do NYT fala sobre o papel dos jornais na era da internet

A profusão de blogs, wikis e novos formatos online não levará à extinção dos jornais. Quem faz a previsão é o editor executivo do jornal "The New York Times", Bill Keller. O site do jornal "The Guardian" traz o texto de uma conferência feita pelo jornalista, na qual ele expõe sua posição sobre o papel e a situação dos jornais na era da internet.


Segundo Keller, os jornais e seus profissionais realizam um trabalho de cobertura que não é feito em mídias como blogs e wikis - que acabam recorrendo a informações publicadas pelos veículos jornalísticos. Isso não quer dizer que as novas formas de produção e divulgação de conteúdo não sejam importantes - afinal, o próprio "Times" tem investido na Web -, mas sinaliza que os jornais ainda exercem um papel essencial.


A conferência foi feita pelo editor em um evento realizado em memória do jornalista Hugo Young. Após uma introdução sobre o trabalho de Young, Keller fala sobre a hostilidade da administração Bush em relação à imprensaSegundo ele, o governo atual ajudou a alimentar um clima de antipatia aos jornais.


A Casa Branca, diz Keller, tem se esforçado para impor sua "verdade única" sobre a chamada "guerra ao terror". Nesse ambiente, os jornais que publicam informações que desagradam o governo são tachados como inimigos. A administração Bush também tem incentivado a polarização política do público: de um lado, os que apóiam a Casa Branca em todas as suas ações; de outro, os oposicionistas - um clima de "demonização", nada propício ao debate.

26/11/2007

Internet - Leitores têm mais espaço na produção de conteúdo

Dois textos, em inglês, sobre a participação dos usuários na produção de conteúdo informativo na internet:


- Um artigo científico de Alfred Hermida e Neil Thurman mostra como os veículos de imprensa britânicos estão lidando com o conteúdo gerado por usuários (user-generated content). Baseada em um levantamento quantitativo e em entrevistas com onze editores dos principais sites de notícias, a pesquisa revela um aumento significativo no número de canais abertos ao público. 


O artigo também mostra que, em 18 meses (de abril de 2005 a novembro de 2006), o número de blogs hospedados pelos sites analisados subiu de sete para 118, em sua maioria abertos a comentários dos leitores. Houve uma mudança na fala dos editores: há três anos, eles consideravam os blogs uma “bobagem”; hoje, os vêem como espaços importantes, que permitem um contato valioso com o leitor.


***


- No jornalismo, a palavra final será dos leitores. Quem faz a previsão é o editor do site Online Journalism Review, Robert Niles. Ele cita dois exemplos recentes da mídia norte-americana. O primeiro mostra como, ao tentar esconder o nome e o endereço de uma mulher que havia fornecido informações falsas em um caso de suicídio, os veículos jornalísticos estimularam a busca e a divulgação dessas mesmas informações por blogueiros. A situação traz uma nova questão ética para os jornalistas: como proteger pessoas em um mundo que facilita tanto a busca e a distribuição de dados?


No segundo exemplo, Robert Niles cita um artigo publicado pelo jornal Los Angeles Times sobre uma feira de automóveis. Segundo o editor, os veículos erram ao realizar suas coberturas com base apenas em material e eventos produzidos para a imprensa (releases, coletivas, visitas programadas).


Alguns segmentos começam a dar mais atenção à “cobertura” feita pelos próprios visitantes e usuários, que publicam seus textos e fotos na internet. Niles cita a declaração de um porta-voz do estúdio Universal: “Não nos importamos muito com a cobertura feita pelo Los Angeles Times. O que queremos é estar na internet, onde estão nossos clientes”.

22/11/2007

Lista de perguntas ajuda a definir se uma pesquisa é relevante

Mais uma dica encontrada no blog Novo em Folha, do programa de treinamento da Folha de S. Paulo: vinte perguntas que os jornalistas devem fazer antes de divulgarem os resultados de pesquisas de opinião. O texto, em inglês, está no site do National Council on Public Polls (NCPP), associação que congrega organizações que realizam esse tipo de pesquisa.

 

As questões propostas pelos autores ajudam a identificar se uma pesquisa foi realizada com critério científico - e, portanto, traz alguma informação importante sobre o universo pesquisado - ou se é apenas um conjunto de respostas e dados curiosos, sem relevância estatística.

 

Veja algumas das perguntas sugeridas:

 

- Quem pagou pela pesquisa? Por que ela foi feita?

- Quantas pessoas foram entrevistadas? Como elas foram escolhidas?

- Qual a distribuição geográfica do grupo de entrevistados?

- O resultado divulgado é baseado nas repostas de todos os entrevistados ou em falas de um subgrupo?

- Em que ordem as perguntas foram feitas?

- Existem outras pesquisas sobre o mesmo assunto? O que elas dizem?

UOL Blog